— Aquelas a quem pedi que permanecessem, por favor, fiquem em seus lugares. As outras podem acompanhar Silvia até a sala de jantar. Em breve vou juntar-me a vocês.
Observei as garotas trocarem olhares entre si, algumas confusas e outras orgulhosas. Tinha certeza de que fizera as escolhas certas; agora vinha a tarefa de dispensá-las. Seria bastante simples, principalmente porque o nosso contato tinha sido muito breve. A que elas teriam se apegado?
O salão se esvaziou, com a exceção de oito moças, todas sorridentes diante de mim.
Voltei os olhos para elas e, de repente, desejei ter preparado algum tipo de discurso antes de separá-las das demais.
— Obrigado por permanecerem mais alguns instantes — comecei, e logo travei. — Hã, quero agradecê-las por... por... virem ao palácio e darem-me a oportunidade de conhecê-las.
A maior parte delas ria baixinho ou desviava o olhar. Clarissa jogou o cabelo para o lado.
— Sinto dizer... Mas acho que não vai dar certo. Hã... vocês podem ir agora?
O final pareceu mais uma pergunta do que uma afirmação. Agradeci aos céus por meu pai não estar presente para testemunhar aquilo.
Uma garota – Ashley, acho – começou a chorar imediatamente, o que me deixou tenso.
— É porque tingi o cabelo? — perguntou a menina ao seu lado.
— Hein?
— É porque sou uma Cinco, não é? — Hannah perguntou.
— Como?
Clarissa correu até mim e agarrou minha mão.
— Posso melhorar, eu juro!
— O quê?
Felizmente, um guarda arrancou-a de mim e a conduziu para fora do salão. Fiquei ali, parado, observando-a sair, completamente atordoado por aquela explosão de emoções. Era para elas se comportarem como damas. O que estava acontecendo?
— Mas por quê? — uma das garotas perguntou. Sua voz era tão doce que chegou a doer. A história com Daphne se repetia...
Não vi quem falou. Virei para elas e percebi que todas traziam expressões similares no rosto, aparentemente de rejeição, de esperança frustrada. Nos conhecíamos havia menos de vinte minutos. Como era possível?
— Perdoem-me — eu disse, me sentindo realmente mal — mas não senti nada.
Mia deu um passo à frente; seu rosto mal deixara entrever que ela estava à beira de lágrimas. Parte de mim admirava seu autocontrole.
— E o que nós sentimos? Não importa?
Ela inclinou a cabeça, seus olhos castanhos exigindo uma resposta.
— Claro que importa...
Talvez eu devesse voltar atrás. Eu não era obrigado a eliminar alguém no primeiro dia. Mas que tipo de relacionamento isso criaria? Tomo uma decisão, ela diz que me precipitei, e eu cedo?
Não. A escolha era minha. Eu precisava levá-la adiante.
— Sinto muitíssimo por ter magoado vocês, mas é um desafio considerável reduzir trinta e cinco mulheres talentosas, charmosas e lindas a apenas uma, com quem deverei me casar — falei, de maneira honesta e humilde. — Preciso seguir minha intuição. Faço isso tanto pela felicidade de vocês quanto pela minha. Espero que possamos nos despedir desse curto tempo juntos como amigos.
Mia, sem deixar se impressionar pelo discurso, me lançou um olhar gélido e depois passou reto por mim rumo à porta. Praticamente todas as garotas a seguiram. Tudo indicava que não nos despediríamos em bons termos.
Ashley, que parecia a mais abalada, se aproximou e me deu um abraço. Meio sem jeito, envolvi-a com meus braços, quase imobilizados pela garota.
— Não consigo acreditar que acabou tão rápido. Achei realmente que tivesse uma chance.
Suas palavras saíam sem vida e perdidas. Era como se estivesse falando consigo mesma.
— Sinto muito — repeti.
Ela se afastou, secou os olhos e, uma vez recomposta, fez uma reverência digna de uma dama.
— Boa sorte, Alteza.
Ela ergueu a cabeça e saiu.
— Ashley — chamei, antes que ela chegasse à porta.
Ela se deteve, esperançosa.
Não. Não podia. Eu tinha que ser firme.
— Boa sorte para você também.
Ela sorriu para mim e foi embora.
Após um instante de silêncio, me dirigi aos guardas no salão:
— Podem ir — ordenei, desesperado por um momento de privacidade.
Fui até o sofá onde entrevistara as garotas e escondi a cabeça entre as mãos.
Você só pode se casar com uma delas, afinal. Precisava fazer isso. Talvez tenha parecido precipitado, mas não foi. Foi ponderado. Você precisa ser ponderado.
Não consegui deixar de duvidar de mim mesmo. Ashley fora doce no final. Será que eu já tinha cometido um erro? Mas não havia sentido nada quando ela se sentara diante de mim, nem sequer uma pontinha de afinidade.
Respirei fundo e pus-me de pé. Estava feito. Hora de seguir em frente. Havia outras vinte e sete garotas em quem focar agora.
Forçando um sorriso, atravessei o amplo corredor até a sala de jantar, onde todos já comiam. Notei algumas cadeiras sendo arrastadas para trás.
— Por favor, senhoritas, não se levantem. Desfrutem do café da manhã.
Não há nada errado. Está tudo perfeito.
Beijei minha mãe na bochecha e apertei o ombro de meu pai antes de sentar, na tentativa de formar o retrato de família perfeita que o público esperava de nós.
— Algumas já partiram, Alteza? — Justin perguntou enquanto me servia café.
— Sabe, uma vez li um livro sobre povos que praticavam a poligamia. Um homem com várias mulheres. Loucura. Acabo de sair de um cômodo com oito mulheres insatisfeitas, e não entendo por que alguém escolheria isso — eu disse em um tom divertido, embora a sensação fosse verdadeira.
— Que bom que o senhor só precisa de uma, Alteza — Justin disse, rindo.
— É mesmo.
Bebi o café, puro, pensando nas palavras de Justin.
Eu só precisava de uma. Mas como encontrá-la?
— Quantas saíram? — meu pai perguntou, cortando a comida no prato.
— Oito.
Ele assentiu com a cabeça.
— Bom começo.
Apesar de toda a dúvida que eu sentira, pelo menos houve um reconhecimento.
Soltei um suspiro tentando formular um plano. Precisava conhecer cada uma das garotas. Corri os olhos pela sala de jantar, pensando no tempo e na energia que precisaria para investir para ficar íntimo de vinte e sete garotas.
Algumas Selecionadas flagraram meu olhar perambulante e sorriram quando meus olhos passaram por elas. Havia tantas mulheres lindas. Tive a impressão de que algumas delas já haviam saído com outros rapazes e, talvez por tolice, fiquei intimidado.
E lá estava America, com a boca cheia de torta de morango, revirando os olhos como se estivesse no paraíso. Sufoquei o riso e, de repente, tive uma ideia.
— Senhorita America? — chamei-a educadamente, quase caindo na risada de novo quando ela parou de mastigar, arregalou os olhos e se virou para mim.
Ela cobriu a boca com a mão, tentando terminar logo.
— Sim, Majestade?
— O que está achando da comida?
Imaginei se ela teria lembrado da noite anterior, quando admitiu que a comida era seu maior motivo para ficar. De certa forma era um alívio poder contar uma piada que só uma pessoa entendia diante de um salão lotado.
Talvez fosse minha imaginação, mas vi um brilho de malícia em seu olhar.
— Excelente, Majestade. Esta torta de morango... bem, tenho uma irmã que gosta mais de doces do que eu. Acho que ela choraria se a experimentasse. Está perfeita.
Levei a colher à boca. Precisava de um instante para orquestrar o plano.
— Acha mesmo que ela choraria? — perguntei.
O rosto adorável de America se contorceu em pensamentos.
— Sim, é isso que eu acho. Ela não consegue controlar muito bem suas emoções.
— Você apostaria dinheiro nisso? — rebati.
— Se tivesse dinheiro para apostar, com certeza o faria — ela respondeu com um sorriso.
Perfeito.
— E o que gostaria de apostar em vez disso? A senhorita parece ter um talento para acordos.
Meu pai lançou um olhar cortante na minha direção. Nossa piada interna não tinha passado despercebida.
— Bem, o que Vossa Alteza quer? — ela perguntou.
Um primeiro encontro de que se possa dar conta. Uma noite com alguém que eu não precisaria tentar impressionar porque ela diz ser impossível. Um jeito de botar as coisas de volta nos trilhos sem fazer todas as outras garotas me odiarem.
— O que a senhorita quer? — repliquei com um sorriso.
Ela ponderou. De verdade, ela poderia ter pedido qualquer coisa. Estava pronto para suborná-la se fosse necessário.
— Se ela chorar — America começou, um pouco hesitante — quero usar calça uma vez por uma semana.
Apertei os lábios enquanto o resto da sala de jantar dava risada. Até meu pai pareceu gostar, ou pelo menos entrou na brincadeira. Mas o que me agradou foi o fato de ela não baixar a cabeça ou corar ou pensar em outro pedido enquanto todos riam de sua proposta. Ela queria usar calça e pronto.
Havia algo charmoso nisso.
— Feito. E, se ela não chorar, a senhorita me deve um passeio pela propriedade amanhã à tarde.
Murmúrios vieram de todos os cantos da sala, e ouvi meu pai bufar com a escolha. Provavelmente ele sabia muito mais sobre as candidatas do que eu. E America não estava em sua lista de favoritas. Droga, ela nem estava no páreo, para dizer a verdade.
America pensou um segundo e depois assentiu.
— Alteza, seus termos são severos, mas eu os aceito.
— Justin? Embrulhe as tortas de morango e envie-as para a família da senhorita America. Peça que alguém espere enquanto a irmã experimenta e nos informe se ela, de fato, chora. Estou curiosíssimo quanto a isso.
Justin acenou com a cabeça e sorriu brevemente antes de se retirar. Continuei:
— A senhorita deveria escrever um bilhete dizendo que está bem para acompanhar o embrulho. Na verdade, todas vocês deveriam escrever a suas famílias. Façam isso depois do café. Garantiremos que as cartas sejam entregues ainda hoje.
As garotas – minhas garotas – sorriram, contentes. Em apenas uma manhã, eu tinha conhecido todas as moças, guardado quase todos os nomes, dispensado várias e marcado meu primeiro encontro. Embora tudo aquilo tivesse me deixado um pouco sem fôlego, arriscaria dizer que foi um sucesso.
— Peço desculpas pela demora, Alteza. Tivemos que ir até uma loja na cidade — Seymour explicou enquanto arrastava uma arara com várias calças penduradas.
— Sem problemas — respondi, pondo de lado os papéis na minha escrivaninha. Eu havia decidido trabalhar no quarto naquele dia. — O que você trouxe?
— Temos diversas opções, senhor. Estou certo de que encontrará algo para a senhorita aqui.
Encarei as roupas completamente confuso.
— Então, de quais calças as mulheres gostam?
Seymour balançou a cabeça e sorriu.
— Não se preocupe, Alteza. Tenho tudo sob controle. Esta calça branca é mais feminina e combina com qualquer blusa que as criadas dela fizerem. O mesmo vale para esta.
Ele apresentou várias opções. Tentei distinguir o que tornava uma melhor do que a outra e adivinhar qual America gostaria.
— Seymour, talvez isso não importe, mas ela é uma Cinco. Você acha que ela vai se sentir confortável com essas roupas?
Ele olhou para a arara.
— Se ela está aqui, senhor, é provável que esteja em busca de luxo.
— Mas se estivesse em busca de luxo, por que ela teria pedido uma calça para começo de conversa? — rebati.
Ele assentiu.
— Jeans.
Seymour estendeu o braço e puxou uma calça jeans da parte de trás do carrinho. Para ser sincero, eu nunca tinha usado jeans antes. Não parecia muito atrativo.
— Acho que essa é a vencedora — ele comentou.
Olhei mais uma vez para minhas opções.
— Sim, leve essa, mas junte com aquela primeira calça que você me mostrou. E talvez mais uma, para completar. Vão servir nela?
Seymour sorriu.
— Vamos ajustá-las até o entardecer. A jovem senhorita ganhou a aposta, então?
Dei de ombros.
— Ainda não, mas tenho esperança de que, caso ela vença, ainda vai querer me encontrar se eu lhe der mais do que esperava.
— O senhor deve gostar mesmo dela — Seymour disse enquanto saía, empurrando a arara pelo corredor.
Não respondi, mas pensei nisso ao fechar a porta. Havia algo nela... Mesmo seu jeito de não gostar de mim era atraente. Não pude evitar um sorriso.


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