terça-feira, 2 de agosto de 2016

Capítulo 4

Martha desfazia os nós do meu cabelo com a escova. Mesmo mais curto, ainda era uma tarefa difícil por causa da espessura. Eu nutria a esperança de que ela demorasse bastante. Aquele era um dos poucos momentos que me faziam lembrar de casa. Se eu fechasse os olhos e respirasse fundo, era como se fosse Adele me penteando.
Enquanto imaginava o leve tom acinzentado de casa, mamãe a cantarolar com o som constante dos furgões de entrega ao fundo, alguém bateu na porta e me trouxe de volta à realidade.
Cindly correu até a porta e, um segundo depois de abrir, curvou-se em reverência.
— Alteza.
Levantei e imediatamente cruzei os braços sobre o peito, sentindo-me incrivelmente vulnerável. As camisolas eram tão finas.
— Martha — sussurrei aflita. Ainda curvada em reverência, ela me lançou um olhar. — Meu roupão. Por favor.
Ela se apressou em pegá-lo enquanto eu voltava o rosto para o príncipe Clarkson.
— Alteza, que gentileza sua vir me visitar.
Me curvei rapidamente e logo voltei a cruzar os braços sobre o peito.
— Pensei que talvez você quisesse se juntar a mim para uma sobremesa fora de hora.
Um encontro? Ele estava ali para um encontro?
E eu de camisola, sem maquiagem, cabelo penteado pela metade.
— Hummm… Será que devo… trocar de roupa?
Martha me entregou o roupão, que enfiei de uma só vez.
— Não, você está bem assim — insistiu ele, caminhando pelo quarto como se fosse o dono.
O que, pensei, ele era mesmo. Por trás do príncipe, Emon e Cindly se esgueiravam porta afora. Martha me encarou em busca de orientação. Acenei a cabeça de leve, e ela também saiu.
— Está feliz com seu quarto? — perguntou Clarkson. — É bem pequeno.
Comecei a rir.
— Suponho que pareça assim para alguém criado no palácio. Mas gosto dele.
Clarkson caminhou até a janela.
— A vista não é grande coisa.
— Gosto do som da fonte. E quando alguém chega de carro, ouço o ruído das rodas sobre a brita. Estou acostumada com bastante barulho.
Ele franziu a testa.
— Que tipo de barulho?
— Música em alto-falantes. Só soube que isso não acontecia em todas as cidades quando cheguei aqui. E motores de caminhões e motos. Ah, e cachorros. Estou acostumada com os latidos.
— Que ótima canção de ninar… — ele comentou, voltando para perto de mim. — Está pronta?
Discretamente, procurei minhas pantufas, encontrei-as ao lado da cama e calcei.
— Sim.
Ele caminhou até a porta a passos largos para em seguida me olhar e oferecer o braço. Mordi o lábio para segurar o sorriso e me juntei a ele.
Ele não parecia gostar muito de ser tocado. Notara que quase sempre andava com as mãos nas costas, em passadas bruscas. Mesmo naquele momento, dava para perceber sua pressa enquanto cruzávamos o corredor.
Ao pensar nisso, senti de novo a emoção daquele dia em que ele brincou com a minha carta, e isso me permitiu ficar à vontade ao seu lado.
— Aonde vamos?
— Há uma sala de estar esplêndida no terceiro andar. Uma vista excelente para os jardins.
— O senhor gosta dos jardins?
— Gosto de olhá-los.
Eu ri, mas ele estava completamente sério.
Chegamos a um par de portas abertas, e mesmo do corredor dava para sentir o ar fresco. Nada além de velas iluminava a sala, e achei que meu coração explodiria de tanta felicidade. Cheguei até a tocar meu peito para ver se tudo ainda estava intacto.
Três janelas enormes estavam abertas, e suas cortinas ondulavam com o soprar da brisa. Na frente da janela central, havia uma mesinha com um lindo arranjo de flores e duas cadeiras. Ao lado, um carrinho com ao menos oito tipos de sobremesa.
— Primeiro as damas — disse ele, apontando para o carrinho.
Eu não conseguia parar de sorrir à medida que me aproximava. Estávamos a sós. Ele tinha preparado aquilo para mim. Era a realização de todos os meus sonhos de menina.
Tentei focar no que estava diante de mim. Vi chocolates, mas cada um tinha um formato diferente, e eu não fazia ideia dos recheios. Tortinhas com chantili e aroma de limão estavam empilhadas ao fundo, enquanto na minha frente havia uma série de doces em massa folhada cobertos com alguma coisa.
— Não sei como escolher — confessei.
— Então não escolha — disse Clarkson pegando um prato e botando nele um doce de cada tipo.
Ele pôs o prato sobre a mesa e puxou a cadeira. Me aproximei e o deixei empurrar a cadeira para mim. Fiquei então à espera de que fizesse o próprio prato.
Quando o príncipe terminou de se servir, comecei a rir de novo.
— É o suficiente? — provoquei.
— Gosto de torta de morango — ele argumentou. Havia provavelmente umas cinco delas empilhadas diante dele. — Então você é Quatro. O que faz da vida? — perguntou, para em seguida dar uma garfada numa das sobremesas e levar à boca.
— Sou agricultora — respondi, enquanto brincava com um chocolate no prato.
— Você quer dizer que tem uma fazenda?
— Mais ou menos.
Ele baixou o garfo e me encarou.
— Meu avô tinha uma plantação. Ele a deixou para o meu tio, porque ele é o mais velho, então meu pai, minha mãe, meus irmãos e eu trabalhamos lá — confessei.
Ele ficou em silêncio por uns instantes.
— Mas… o que você faz exatamente? — perguntou, finalmente.
Deixei o chocolate cair de volta no prato e apoiei as mãos no colo.
— Em geral, trabalho na colheita. E ajudo a separar os grãos.
Ele voltou a fazer silêncio.
— Costumava ficar escondida entre as montanhas… a fazenda, quero dizer. Mas agora muitas estradas passam por lá. O que torna mais fácil transportar as coisas, mas aumenta a fumaça. Minha família e eu vivemos em…
— Pare.
Baixei os olhos. Não dava para mentir sobre minha ocupação.
— Você é Quatro, mas faz o trabalho de uma Sete? — ele perguntou em voz baixa.
Confirmei com a cabeça.
— Já comentou isso com alguém?
Pensei nas minhas conversas com as outras garotas. Eu tendia a deixá-las falar de si mesmas. Tinha contado histórias sobre meus irmãos e gostava muito de saber dos programas de TV que as outras assistiam, mas jamais falara do meu trabalho.
— Não, acho que não.
Ele levantou o olhar para o teto e depois o fixou em mim.
— Nunca conte a ninguém o que você faz. Se alguém perguntar, sua família é dona de uma plantação de café que você ajuda a administrar. Seja vaga e nunca, jamais, deixe escapar que você realiza trabalhos manuais. Estamos claros?
— Sim, Alteza.
Ele me encarou por um longo momento, como que para reforçar a importância daquilo. Mas sua ordem já me bastava. Jamais deixaria de fazer algo que ele me pedisse.
O príncipe voltou a comer, cortando as sobremesas com um pouco mais de agressividade que antes. Já eu estava nervosa demais para sequer tocar na comida.
— Acaso o ofendi, Alteza?
Ele se endireitou na cadeira e inclinou a cabeça.
— Por que raios você pensaria isso?
— O senhor parece… irritado.
— Garotas são tão tolas… — ele resmungou consigo mesmo. — Não, você não me ofendeu. Gosto de você. Por que acha que estamos aqui?
— Para o senhor me comparar com as Dois e Três e confirmar sua escolha de me mandar para casa.
Não era minha intenção desabafar assim. Era como se minhas maiores preocupações estivessem lutando por um espaço na minha cabeça, e uma delas tivesse enfim escapado. Baixei a cabeça outra vez.
— Amberly — ele sussurrou. Levantei o olhar por baixo dos cílios. Um sorriso esboçava-se em seu rosto à medida que ele estendia a mão sobre a mesa. Cuidadosamente, como se a magia fosse acabar assim que ele tocasse minha pele áspera, pus a mão sobre a dele. — Não vou mandar você para casa. Não hoje.
Meus olhos marejaram, mas pisquei para segurar as lágrimas.
— Estou numa situação única — ele se explicou. — Apenas tento compreender os prós e os contras de cada uma das minhas opções.
— E o fato de eu fazer o trabalho de uma Sete é um contra, suponho?
— Com certeza — ele replicou, mas sem qualquer traço de maldade na voz. — Assim, pelo meu bem, isso fica entre nós — pediu, ao que assenti com a cabeça. — Mais algum segredo que você queira compartilhar?
Ele puxou a mão devagar e tornou a cortar sua comida. Tentei fazer o mesmo.
— Bom, o senhor já sabe que eu fico doente de tempos em tempos.
— Sim — Clarkson confirmou depois de uma pausa. — O que se passa, afinal?
— Não sei ao certo. Sempre tive problemas com enxaquecas, e às vezes cansaço. As condições em Hondurágua não são das melhores.
Ele fez que sim com a cabeça.
— Amanhã, depois do café, em vez de ir ao Salão das Mulheres, vá à ala hospitalar. Quero que o doutor Mission lhe faça um exame completo. Se você precisar de qualquer coisa, tenho certeza de que ele será capaz de ajudar.
— Claro.
Finalmente consegui comer um bocado da massa folhada; fiquei com vontade de suspirar de tão gostosa que estava. Sobremesas eram raridade em casa.
— E você tem irmãos?
— Sim, um irmão mais velho e duas irmãs mais velhas.
Ele franziu a testa.
— Soa um pouco… lotado.
Achei graça.
— Às vezes. Eu dividia a cama com Adele em casa. Ela é dois anos mais velha que eu. Tem sido tão estranho dormir sem ela que às vezes coloco uma pilha de travesseiros do meu lado para criar uma ilusão.
— Mas agora todo aquele espaço é seu — ele comentou, balançando a cabeça.
— Sim, mas não estou acostumada. Não estou acostumada a nada disso. A comida é estranha. As roupas são estranhas. Até o cheiro é diferente aqui, mas não sei dizer direito qual é.
Ele baixou os talheres.
— Você quer dizer que a minha casa cheira mal?
Por um segundo, fiquei preocupada por talvez tê-lo ofendido, mas em seus olhos brilhava uma minúscula centelha de brincadeira.
— Nada disso! Mas é diferente mesmo. Parece que os livros antigos, a grama e sei lá que produto as criadas usam se misturam todos. Queria engarrafar o cheiro para tê-lo sempre comigo.
— De todos os souvenirs possíveis, esse é de longe o mais curioso que já ouvi — ele comentou, brincalhão.
— O senhor gostaria de um souvenir de Hondurágua? Temos uma poeira excelente.
De novo, ele endureceu os lábios para esconder o sorriso, aparentemente ainda receoso de rir abertamente.
— É muita generosidade — comentou. — Estou sendo rude fazendo todas essas perguntas? Há algo que você queira saber de mim?
Arregalei os olhos.
— Tudo! Do que o senhor mais gosta no trabalho? Em que lugares do mundo já esteve? Já ajudou o rei a elaborar alguma lei? Qual é a sua cor favorita?
Ele balançou a cabeça e esboçou outro daqueles quase-sorrisos arrasadores.
— Azul, azul-marinho. E já visitei praticamente qualquer país do planeta que você puder imaginar. Meu pai quer que eu tenha uma educação cultural bem ampla. Illéa é uma grande nação, mas jovem, no fim das contas. O próximo passo para assegurar nossa posição global é fazer alianças com países mais consolidados. — Soltou uma risada baixa e sombria para si mesmo antes de concluir: — Às vezes acho que meu pai queria que eu fosse mulher para me arranjar um casamento que garantisse mais alianças.
— É tarde demais para seus pais tentarem de novo, imagino?
Seu sorriso vacilou.
— Acho que a hora já passou faz tempo.
Havia algo mais na sua resposta, mas não quis me intrometer.
— A minha parte favorita do trabalho é a estrutura. A ordem. Alguém põe um problema diante de mim, e eu encontro um modo de resolver. Não gosto de coisas em aberto ou inacabadas, embora geralmente isso não seja um problema para mim. Sou o príncipe, e um dia serei rei. Minha palavra é lei.
Seus olhos brilhavam de contentamento enquanto falava. Era a primeira vez que o via entusiasmado daquele jeito. E dava para entender. Embora não desejasse o poder para mim, compreendia seu apelo.
Ele continuou a me encarar, e senti um calor tomar meu corpo. Talvez por estarmos sozinhos, ou por ele aparentar tanta segurança, mas de repente senti sua presença de um jeito intenso. A sensação era como se cada nervo do meu corpo estivesse preso a cada nervo do corpo dele. Estávamos ali, sentados, e uma estranha eletricidade preenchia a sala. Clarkson traçava círculos na mesa com o dedo, negando-se a desviar o olhar.
Minha respiração acelerou, e quando deixei meu olhar cair para o seu peito, parecia que o dele tinha feito o mesmo.
Eu via suas mãos se moverem. Pareciam determinadas, curiosas, nervosas… uma lista de palavras formou-se na minha cabeça enquanto observava as pequenas rotas que seus dedos traçavam na mesa.
Sonhei com ele me beijando, claro, mas um beijo raramente fica nisso. Com certeza ele seguraria minhas mãos, minha cintura ou meu queixo. Pensei em meus dedos, ainda ásperos dos anos de trabalho, e me preocupei com o que ele acharia se o tocasse novamente. Na hora, era o que eu mais queria.
Ele limpou a garganta e olhou para o lado, quebrando o momento.
— Acho que devo acompanhá-la de volta até o quarto. É tarde.
Apertei os lábios e desviei o olhar. Eu assistiria o nascer do sol ao lado dele se me pedisse.
O príncipe levantou, e o segui até o corredor principal. Não sabia ao certo o que pensar do nosso breve e tardio encontro. Para ser honesta, pareceu mais uma entrevista.
A ideia me fez rir, e ele se virou para mim.
— Qual é a graça?
Considerei a possibilidade de dizer que não era nada. Mas queria que ele me conhecesse, e isso implicava superar o nervosismo.
— Bem… — hesitei. É assim que as pessoas se conhecem, Amberly. Fale. — O senhor disse que gosta de mim… mas mal me conhece. É assim que o senhor costuma tratar as garotas de quem gosta? Interrogando-as?
Ele revirou os olhos, sem irritação, mas como se eu já devesse ter entendido.
— Você esquece que, até pouco tempo atrás, eu nunca…
O estrondo de uma porta sendo aberta de repente atropelou a conversa. Reconheci a rainha no ato. Estava prestes a fazer uma reverência quando Clarkson me empurrou até outro corredor.
— Não dê as costas para mim! — a voz do rei ressoava pelo andar.
— Eu me recuso a falar com você desse jeito — replicou a rainha, as palavras levemente arrastadas.
Clarkson me envolveu nos braços, protegendo-me ainda mais. Mas eu suspeitava que ele precisava mais do meu abraço do que o contrário.
— Seus gastos este mês foram ultrajantes! — rugiu o rei. — Você não pode continuar desse jeito. É o tipo de comportamento que joga este país nas mãos dos rebeldes!
— Ah, não, querido! — reagiu ela com a voz repleta de uma doçura fingida. — Joga você nas mãos dos rebeldes. E acredite: ninguém vai sentir sua falta quando isso acontecer.
— Volte aqui, sua vadia conspiradora!
— Porter, me solte!
— Se você acha que é capaz de me derrubar com um punhado de vestidos caros, está muito enganada.
Veio o som de um deles estapeando o outro. Clarkson me soltou imediatamente. Ele agarrou a maçaneta de uma das portas e girou: trancada. Passou para a próxima, que estava aberta. Então me agarrou pelo braço e me arrastou para dentro, fechando a porta atrás de nós.
Ele começou a andar de um lado para o outro, puxando os próprios cabelos como se quisesse arrancá-los. Depois foi até o sofá, pegou uma almofada e a desfez em pedaços. Quando terminou, fez o mesmo com outra.
Espatifou uma mesinha de canto.
Atirou vários vasos contra a cantaria da lareira.
Rasgou as cortinas.
Enquanto isso, eu permanecia com o corpo colado à parede, tentando me fazer invisível. Talvez eu devesse ter saído correndo ou buscado ajuda. Mas achei que não poderia deixá-lo sozinho, não daquele jeito.
Quando parecia ter extravasado a maior parte da raiva, Clarkson se lembrou da minha presença. Ele cruzou o cômodo com passos fortes e parou na minha frente, com um dedo apontado para o meu rosto.
— Se algum dia contar a alguém o que ouviu, ou o que eu fiz…
Eu, porém, comecei a balançar a cabeça antes de ele concluir.
— Clarkson…
Com as lágrimas de raiva reluzindo em seus olhos, ele continuou:
— Jamais deixe isso escapar, entendeu?
Ergui as mãos em direção ao seu rosto, e o corpo dele se contraiu. Fiz uma pausa e tentei novamente, com movimentos ainda mais lentos. Suas bochechas estavam quentes, levemente recobertas de suor.
— Não há nada que contar — prometi.
Sua respiração estava acelerada.
— Por favor, sente — pedi. Ele hesitou. — Apenas por um instante.
Ele assentiu.
Eu o conduzi até uma cadeira e sentei ao lado dele no chão.
— Ponha a cabeça entre os joelhos e respire.
Ele me dirigiu um olhar de questionamento, mas obedeceu. Pus a mão em sua nuca e corri os dedos pelo seu cabelo e pescoço.
— Odeio os dois — sussurrou ele. — Odeio.
— Shhh. Tente se acalmar.
Ele levantou os olhos.
— É sério. Odeio os dois. Quando for rei, vou mandá-los embora.
— Tomara que não para o mesmo lugar — murmurei.
Ele tomou fôlego. E então riu. Uma gargalhada profunda e autêntica, do tipo que não conseguimos interromper mesmo se quisermos. Então ele era capaz de rir. O riso estava lá, enterrado sob todas as outras coisas que ele precisava sentir, pensar e controlar. Ele passou a fazer muito mais sentido, e a partir de então eu valorizaria ainda mais seus sorrisos. Cada um deles devia dar tanto trabalho.
— É um milagre eles não terem destruído o palácio — comentou o príncipe, acalmando-se afinal.
Apesar do risco de fazê-lo perder as estribeiras de novo, ousei perguntar:
— Sempre foi assim?
Ele fez que sim com a cabeça.
— Bom, não muito quando eu era pequeno. Agora, porém, já não se suportam. Nunca entendi de onde veio isso. Ambos são fiéis. Ou, se têm casos, escondem muito bem. Têm tudo de que precisam, e minha avó dizia que se amavam muito antes. Não faz sentido.
— É uma situação difícil. A deles. A sua. Talvez estejam sentindo o peso — supus.
— Então é isso? Serei como ele, minha esposa como ela, e acabaremos por desmoronar?
Levantei o braço e toquei seu rosto novamente. Ele não se contraiu dessa vez. Em vez disso, inclinou-se para mais perto. Embora seus olhos ainda estivessem repletos de preocupação, o gesto pareceu acalmá-lo de verdade.
— Não. Você não precisa ser nada que não quiser. Gosta de ordem? Então planeje, prepare. Imagine o rei, o marido e o pai que quer ser e faça tudo o que for necessário para chegar lá.
Ele me encarou, quase com pena.
— Chega a ser bonito você achar que isso basta.

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