terça-feira, 2 de agosto de 2016

Por onde elas andam?




Kriss Ambers

Depois de perder a Seleção, Kriss voltou a Columbia para recomeçar. Ela deixou o palácio chateada por ficar em segundo lugar, mas só sentiu o impacto mesmo durante o casamento de Maxon e America. Ela ostentou uma expressão animada o dia inteiro, posou para fotos e dançou com os convidados, mas voltou para casa profundamente deprimida.
Kriss não saiu por mais de um mês. Só analisava seus passos e tentava descobrir o que poderia ter feito diferente. Ela se arrependia de ter desperdiçado seu primeiro beijo e não conseguia parar de pensar que era ela quem deveria ser rainha. Só voltou a ter vida social por causa da insistência dos pais e começou a trabalhar com o pai na universidade da região como assistente no Departamento de Comunicação.
No começo, ela odiava o emprego. As pessoas a abordavam o tempo todo para pedir uma foto com “aquela garota da Seleção”, sem nem se darem em conta de como aquele rótulo doía.
Kriss pediu vários dias de licença médica por ser incapaz de lidar com a vida fora de casa. Quase sempre ia para a biblioteca e trabalhava nas áreas mais isoladas do prédio. Temia que sua vida fosse ser assim para sempre, e não sabia se algum dia alguém a enxergaria como outra coisa que não a garota que Maxon quase escolheu.
Cerca de seis meses depois de começar a trabalhar na universidade, houve uma festa de boas-vindas para um professor que tinha passado mais de um ano coletando amostras de plantas nas selvas de Hondurágua. Um botânico entusiasmado, o professor Elliot Piaria recebia elogios por sua determinação e talento, principalmente sendo tão jovem. Kriss não queria ir à festa, mas quando chegou, se sentiu bem ao ver que estava bem longe do centro das atenções naquele dia. E ela ficou encantada de conhecer o professor, especialmente quando os apresentaram e a primeira pergunta dele foi “Do que você dá aula?”. Afastado de quase toda tecnologia durante a Seleção inteira, Elliot não tinha conhecimento da disputa, e a atitude naturalmente madura de Kriss não deixava à mostra que ela era sete anos mais jovem do que ele. Os dois se esbarravam com frequência, e Elliot não parava de perguntar a Kriss por que ela não lecionava, convencido de que o intelecto dela era mais adequado a uma sala de aula do que a um cubículo. Ela se animava toda com a atenção dele, e aquilo crescia em seu coração mais do que ele podia imaginar. Elliot sentia atração por Kriss, e ela gostava do fato de ele ser uma das poucas pessoas que a via como ela era e não como uma ex-Selecionada. Ela passou a ficar cada vez mais confiante e voltou à sua alegria de sempre. Os dois começaram a namorar logo depois que Kriss conseguiu um cargo de professora de matemática, uma função que não a empolgava a não ser pelo fato de ela estar lecionando.
Ela hesitava em se entregar ao amor por Elliot, com medo de sair magoada de novo. Elliot, porém, estava cada vez mais fascinado por ela e a pediu em casamento espontaneamente num dia em que a pegou de bom humor. Elliot queria agir rápido, com medo de que Kriss mudasse de ideia se esperasse muito. Os dois se casaram um mês depois do pedido, e depois da cerimônia, Kriss finalmente se deu conta de que Elliot a amava pelo o que ela era e não tinha qualquer intenção de se separar.
Eles permaneceram em Columbia, embora a natureza curiosa de Elliot acabasse por levá-los aos limites de Illéa à procura de coisas novas para estudar. Não tiveram filhos, mas criaram vários animais de estimação, muitos deles exóticos, que também se tornaram objetos de estudo.



Natalie Luca

Depois de ser dispensada da Seleção, Natalie foi para casa consolar a família pela perda da irmã, Lacey. Natalie tinha passado dificuldades antes, e aquela foi uma provação quase insuportável para sua família. Os pais dela quase se divorciaram logo depois da morte de Lacey, incapazes de lidar com uma perda tão terrível. Mas Natalie conseguiu confortá-los, e os relembrou do jeito alegre da filha falecida e de que a última coisa que Lacey iria querer era que os dois se separassem por causa dela.
Havia muito de verdade nisso. Muitas amigas de Natalie e Lacey tinham pais separados, e ambas temiam o mesmo destino quando crescessem, apesar de seus pais nunca brigarem. Natalie considerou uma grande vitória ser a cola que unia os pais, e sabia que Lacey também teria ficado orgulhosa. Foi depois disso que Natalie se deu conta de que ela mesma devia procurar sua felicidade. As limitações de Natalie nos estudos eram motivo de críticas, mas Lacey sempre a lembrava de que ela era única e bela tal como era.
No casamento de Maxon e America, ela voltou a ser como antes e foi provavelmente o destaque da festa, dançando mais animada do que nunca, com todo o incentivo de America. Natalie não tinha ficado muito triste por não ser a nova princesa. Ao ver as mãos contidas e a postura mais ereta de America, ela se deu conta de que não gostava mesmo das regras que aquele tipo de vida trazia. Ela queria ser ela mesma de qualquer jeito.
Depois que a comoção em torno da Seleção se desfez, Natalie começou a trabalhar na joalheria de sua família e a aprender mais sobre design. Sua personalidade naturalmente excêntrica fez dela uma excelente designer de joias e, depois de se esforçar muito, conseguiu aprender o processo de produção com o pai.
Mais ou menos dois anos depois do fim da Seleção, ela lançou a própria linha de joias, e sua fama por causa do concurso conquistou a atenção de uma clientela composta de celebridades. Atrizes e cantoras sempre usavam suas joias, sem falar de sua amiga querida, a rainha de Illéa.
Bela e agitada, Natalie se casou com um ator e se tornou Dois antes do fim das castas. Pouco tempo depois, eles se divorciaram, já que o estilo desencanado de Natalie não combinava com a vida de casada e ela era mais feliz sozinha. Como sempre odiara intensamente a ideia de divórcio, mas ao mesmo tempo era incapaz de suportar as limitações de um relacionamento, Natalie passou por tempos difíceis. No final, conseguiu aceitar a própria decisão. Como virou Dois, fez testes para alguns filmes e conseguiu papéis de coadjuvante em comédias. Muitos debatiam quanto da performance dela era mesmo atuação.
Natalie conversava com America de vez em quando, mas a pessoa dos tempos de Seleção com quem mais tinha contato era Elise. Embora a amizade das duas tenha sido à distância pelo resto de suas vidas, suas personalidades diferentes se encaixavam bem, e elas se reuniam nos momentos mais importantes da vida.



Elise Whisks

Elise tomou a derrota na Seleção como uma humilhação pública e, depois do ataque violento no dia do anúncio do noivado, jamais conseguiu voltar a pôr os pés no palácio de novo, nem mesmo para o casamento de Maxon e America.
O que Elise não sabia era que a guerra com a Nova Ásia era só aparência. Havia começado por conta de uma desavença boba no comércio e foi amplificada e perpetuada pelo rei Clarkson. Ele sustentava a guerra para que o público prestasse menos atenção nos problemas internos e manipulava o recrutamento a fim de manter sob controle as castas inferiores e os rebeldes em potencial. Maxon tinha notado algo estranho um pouco antes do inicio da Seleção, e sua visita à Nova Ásia confirmara suas suspeitas. As batalhas aconteciam em áreas mais pobres, pois o presidente de Nova Ásia procurava proteger as cidades maiores e mais importantes, com medo de que Clarkson fosse capaz de destruí-las. Milhares de pessoas morreram dos dois lados para nada.
Elise pensava que sua aliança era muito mais valiosa para a coroa do que realmente era e imaginava que seu casamento com Maxon traria urna paz que o rei jamais teve intenção de permitir. Mas Maxon havia começado a planejar com discrição uma forma de acabar com a disputa desde sua fatídica viagem. Pouco depois do começo de seu reinado, ele preparou um acordo de cessar-fogo e convocou Elise para ser sua embaixadora. Ela considerou uma honra poder servir ao seu país e à sua família e concordou em ir.
Numa de suas muitas viagens, ela teve um encontro público com o chefe de uma empresa que destinava parte do lucro para reconstruir as áreas mais arrasadas pela guerra. O filho do CEO se encantou pela maestria de Elise em etiqueta, línguas e literatura, isso sem falar de sua beleza. Ele se manteve em contato e, por fim, acabou por pedir a mão dela à família. Os pais de Elise aceitaram entusiasmados, sabendo que aquele jovem herdaria urna fortuna e tinha uma posição bem sedimentada na sociedade da Nova Ásia.
A alegria de Elise por agradar a família superou suas preocupações acerca de casar com alguém com quem se encontrara apenas algumas vezes, então ela confiou na decisão dos pais. Mudou-se para a Nova Ásia, sem se importar em saber se seria feliz de verdade com o novo marido.
Para sua total surpresa, ela foi. Ele era incrivelmente generoso com ela; esperou que seu afeto crescesse e a idolatrou em todos os sentidos quando ela engravidou.
Elise mantinha a pose nas relações com a família, mas se gabava do marido bom e bonito sempre que entrava em contato com Natalie. Teve dois filhos, que se tornaram o orgulho do marido e de sua família. Estava apaixonada e feliz. Conquistou mais do que sonhara na vida, e nunca mais lamentou a perda de sua chance de se tornar princesa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário